Doença inflamatória intestinal (DII), como atuar perante este desafio

Doença inflamatória intestinal (DII), como atuar perante este desafio

Segundo a Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), existe uma tendência de crescimento de casos de Doença Inflamatória Intestinal (DII) nos últimos anos.

Existem dois tipos de DII: Colite Ulcerativa (UC) a qual é a inflamação do intestino grosso, e Doença de Crohn, e trata-se da inflamação em qualquer parte do trato digestivo afetando principalmente a extremidade da cauda do intestino delgado1.

Pessoas com doença inflamatória intestinal (DII) têm inflamação intestinal crônica que inclui sintomas de cólicas estomacais, diarreia, gases e problemas prolongados no trato digestivo, como a má absorção e desnutrição. Esta doença pode ser muito dolorosa e em casos raros, pode ser fatal2.

Alguns exames são solicitados para identificar o problema como: investigações laboratoriais e radiológicas; investigações endoscópicas: colonoscopia e sigmoidoscopia. A colonoscopia é uma ferramenta precisa para diagnosticar a inflamação do cólon e do íleo terminal na DII3.  Outros exames podem ser solicitados como: ultrassonografia pélvica, estudos de bário, tomografias computadorizadas, exames de ressonância magnética e cápsula endoscópica.

Na Doença de Crohn existe um sistema de mensuração da atividade da doença baseado no número de evacuações, dor abdominal, indisposição geral, ocorrência de fístulas e de manifestações patológicas que permite classificar a doença em leve, moderada ou grave2.

Existem tratamentos que visam reduzir a inflamação, melhorando o prognóstico a longo prazo. Fármacos, controle alimentar e cirurgia são as estratégias de tratamento dependendo de cada caso4

O cuidado do enfermeiro estomaterapeuta às pessoas com doença inflamatória intestinal (DII) deve conter avaliação física detalhada que inclui a realização e observações sistêmicas como pulso, pressão arterial, temperatura e peso. Pessoas em condições graves podem apresentar febre, taquicardia e perda de peso5.

Deve-se realizar também a palpação abdominal observando sinais de sensibilidade abdominal, dolorimento de rebote, distensão ou presença de massa palpável bem como realizar avaliação da função intestinal: frequência das evacuações, consistência e presença de sangue nas fezes5.

A gestão dos cuidados de enfermagem nessas condições inclui o controle de diarreia e a promoção da função intestinal ideal, minimizando ou prevenindo complicações. É fundamental estimular a nutrição ideal, fornecer informações sobre o processo da doença, bem como educar sobre o tratamento ao alvo e o monitoramento de seus medicamentos tendo em vista os próprios objetivos do paciente6.

O papel do enfermeiro Especialista é amplo e complexo, pois este atua na compreensão dos exames laboratoriais, remissão laboratorial, promoção da qualidade de vida do indivíduo, realiza apoio administrativo e psicossocial no gerenciamento dos sintomas e adesão aos tratamentos por meio de educação e acompanhamento6.

Na Colite Ulcerativa grave e Doença de Crohn com obstrução intestinal, um estoma é confeccionado quando não é possível reconectar o sistema digestivo devido à remoção de suas partes.  A estomia permite que o efluente seja drenado para um equipamento coletor preso ao abdômen, e geralmente é realizada como última opção de tratamento5.

Quando indicado o tratamento cirúrgico, a consulta de enfermagem no período pré-operatório é o momento recomendado para a demarcação da estomia. Esta ação deve ser realizada preferencialmente por enfermeiro Estomaterapeuta e/ou médico-cirurgião7.

As ações do enfermeiro estomaterapeuta ocorrem entre os vários momentos da assistência à pessoa com doença inflamatória intestinal (DII). Investir na capacitação da equipe de enfermagem para que atuem de forma a oferecer o máximo de informações e cuidados e um olhar individualizado, desta forma será possível minimizar ansiedade, insegurança e medo, que acabam por dificultar o autocuidado. O estímulo ao autocuidado é essencial para a relação paciente-profissional e deve contemplar a escuta atenta e orientações adequadas sobre as opções terapêuticas que irão favoreçam a autonomia dos indivíduos7.

Referências

  1. Torres, J A Prado et al. Doenças inflamatórias intestinais no Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe: manifestações extraintestinais. Revista Brasileira de Coloproctologia. 2011, v. 31, n. 2
  2. Quaresma AB, Kaplan GG, Kotze PG. The globalization of inflammatory bowel disease: the incidence and prevalence of inflammatory bowel disease in Brazil. Curr Opin Gastroenterol. 2019 Jul;35(4):259-264.
  3. Palacio FGM, de Souza LMP, Moreira JPL, Luiz RR, de Souza HSP, Zaltman C. Hospitalization and surgery rates in patients with inflammatory bowel disease in Brazil: a time-trend analysis. BMC Gastroenterol. 2021 Apr 27;21(1):192. doi: 10.1186/s12876-021-01781-x. PMID: 33906627; PMCID: PMC8077865.
  4. Souza, MM et al. Qualidade de vida de pacientes portadores de doença inflamatória intestinal. Acta Paulista de Enfermagem [online]. 2011, v. 24, n. 4 [Acessado 20 Maio 2022] , pp. 479-484. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0103-21002011000400006>. Epub 23 Set 2011. ISSN 1982-0194. https://doi.org/10.1590/S0103-21002011000400006
  5. Hall V .Avaliando e apoiando pacientes com DII. Tempos de Enfermagem ; 2014.110: 47, 22-24.
  6. Rosso C, Aaron AA, Armandi A, Caviglia GP, Vernero M, Saracco GM, Astegiano M, Bugianesi E, Ribaldone DG. Enfermeira de Doenças Inflamatórias Intestinais – Mensagens Práticas. Relatórios de Enfermagem. 2021; 11(2):229-241. https://doi.org/10.3390/nursrep11020023.
  7. Consenso Brasileiro de Cuidado às Pessoas Adultas com Estomias de Eliminação 2020 organizadores Maria Angela Boccara de Paula, Juliano Teixeira Moraes. — 1. ed. — São Paulo: Segmento Farma Editores, 2021. Disponível em https://sobest.com.br/wp-content/uploads/2021/11/CONSENSO_BRASILEIRO.pdf
Viviane Helena Dias de Melo

Viviane Helena Dias de Melo
Enfermeira Estomaterâpeuta pela Universidade de Taubaté (UNITAU) e membro associado a SOBEST®.

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