1º de maio – Dia do Trabalhador: Reflexões sobre o trabalho do enfermeiro no Brasil

1º de maio – Dia do Trabalhador

Em 1º de maio de 1886, na cidade de Chicago – Estados Unidos, uma greve de trabalhadores por melhores condições de trabalho, como a redução da jornada, que chegava a 17 horas de trabalho diário, resultou em confrontos com policiais e morte de trabalhadores. A partir desse episódio, pessoas de todo o mundo passaram a reivindicar direitos trabalhistas e diversas conquistas foram alcançadas e sancionadas em legislações trabalhistas, marcando o 1º de maio como o dia de reflexões sobre o trabalho e o trabalhador1.   

O trabalhador de enfermagem historicamente enfrenta avanços e retrocessos nos direitos trabalhistas, especialmente com relação a jornada de trabalho e remuneração. Em 2018, a Campanha Nursing now surge como iniciativa de valorização do trabalho da enfermagem e ressalta seu papel como protagonista dos cuidados de saúde2. Essa campanha culminou com a pandemia, onde trabalhador de enfermagem tem demonstrado seu protagonismo, competência e coragem na assistência às vítimas do COVID-19.  

Entretanto, a pandemia no Brasil mostrou a fragilidade das condições do trabalho de enfermagem, com recursos humanos e materiais insuficientes para garantir a segurança e qualidade da assistência em diversas instituições, equipamentos de proteção individual também insuficientes e jornadas exaustivas para o trabalhador.  

Desde os primeiros registros de contaminação pelo coronavírus no Brasil no final de fevereiro de 2020, início da transmissão comunitária e necessidade de internação dos doentes, mais de 25 mil profissionais de enfermagem e médicos também tiveram a doença e, segundo o Conselho Federal de Enfermagem, 699 profissionais morreram vítimas do COVID-19 correspondendo a 23% (quase um quarto) do total de mortes entre profissionais da categoria em todo o mundo3

Nesse 1º de maio, Dia do Trabalhador em meio a uma pandemia com repercussões econômicas imensuráveis e diante de um cenário assustador de desemprego no Brasil, a enfermagem recebe um destaque por meio de uma consulta pública ao Projeto de lei no 2564 de 2020, para instituir um novo piso salarial nacional do Enfermeiro, Técnico e Auxiliar de Enfermagem e da Parteira4

Segundo essa proposta, “a fixação do piso salarial nacional para profissionais de enfermagem é um reparo imprescindível à categoria”, justificando que “a dignidade profissional passa por uma dignidade salarial” e que “diante do desafio sanitário desse século, o valor dos profissionais da saúde ficou ainda mais explícito e inquestionável”, sendo essa a melhor homenagem à equipe de enfermagem4

Nessa oportunidade, a Associação Brasileira de Enfermagem – SOBEST, agradece a toda equipe de enfermagem, pelos esforços e competência que têm conduzido as ações de tratamento e imunização do COVID-19 no país e esperamos que esse seja um marco de real reconhecimento e conquistas.


  1. Werner AF. Passado e Presente do Dia 1º de Maio. Rev. Bras. Med. Trab., Belo Horizonte. 3 (2):148-52, 2005.
  2. http://nursingnowbrasil.com.br/noticias/campanha-nursing-now/ (acessado em 27/04/2021)
  3. http://www.cofen.gov.br/mortes-de-enfermeiros-por-covid-voltam-a-subir-e-batem-recorde-em-marco_86149.html  (acessado em 26/04/2021)
  4. https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/141900 (acessado em 28/04/2021)
Sônia Regina Pérez Evangelista Dantas

Sônia Regina Pérez Evangelista Dantas
Enfermeira Estomaterapeuta TiSOBEST
Doutora em Clínica Médica
Área de Ciências Básicas pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp
Presidente da Associação Brasileira de Estomaterapia – SOBEST (Gestão 2021-2023).