O Olhar do Estomaterapeuta na Trajetória da Pessoa com Câncer de Cabeça e Pescoço

O Olhar do Estomaterapeuta na Trajetória da Pessoa com Câncer de Cabeça e Pescoço

O câncer de cabeça e pescoço inclui tumores que podem surgir na boca, garganta, laringe, nariz e áreas próximas. O uso do tabaco e do álcool, são considerados como as principais causas desse tipo de câncer. Feridas na boca ou na língua, rouquidão, dificuldade para engolir, mau hálito constante e caroços no pescoço, são sinais de alerta e devem ser observados, principalmente se permanecerem por mais de duas semanas. A manutenção da higiene bucal, ajuda a prevenir lesões e alimentação a base de frutas, verduras e alimentos naturais fortalecem a imunidade. Alem disso, o uso de protetor solar facial incluindo os lábios, especialmente para quem trabalha ou passa longos períodos expostos ao sol são cuidados importantes.

Em caso de suspeita de câncer, é necessário buscar por atendimento médico, pois o diagnóstico precoce reduz o risco do desenvolvimento de sequelas mais graves. A doença pode afetar a fala, a respiração, a alimentação bem como a autoestima. A trajetória de vida da pessoa com câncer de cabeça e pescoço é marcada por desafios físicos, emocionais e sociais, que vão do diagnóstico até a fase de reabilitação. A fase de compreensão e aceitação do diagnóstico pelo paciente e familiares é essencial. O tratamento clínico ainda poderá comprometer funções como alimentação, respiração, comunicação e até mesmo a autoestima. O cuidado a esta pessoa por profissionais especializados se faz essencial e torna-se um diferencial para o alcance da autonomia, preservação da dignidade e qualidade de vida.

O Enfermeiro Estomaterapeuta (ET), atua de forma integrada em todas as fases da trajetória do paciente com câncer de cabeça e pescoço, passando pelo tratamento até readaptação à vida. O olhar especializado ultrapassa a técnica, é presença que acolhe, orienta e transforma, de forma individualizada potencializando resultados e humanizando processos. Especificamente ao paciente laringectomizado o ET acompanha no pré, trans e pós operatório, atua no apoio ao paciente e família, cuidado com o estoma traqueal, dispositivos de traqueostomia e laringectomia, cuidado com a pele e região periestoma, orientação quanto a fala, alimentação e imagem corporal, educação para o autocuidado, apoia à reabilitação da comunicação junto a equipe multiprofissional como cirurgião, fonoaudiólogo, psicológo para estimular formas alternativas de comunicação como fala esofágica,

prótese fonatória, laringe eletrônica dentre outros. O papel do estomaterapeuta se faz crucial no acolhimento e apoio emocional ajudando ao paciente e familia a lidar com as mudanças físicas, aspectos emocionais, oferecendo escuta ativa, respeitando medos e inseguranças. O estomaterapeuta é peça-chave na reabilitação da pessoa laringectomizada, promovendo autonomia, segurança e qualidade de vida.

A Estomaterapia, enquanto especialidade da enfermagem voltada ao cuidado de pessoas com estomias, feridas e incontinências, encontra respaldo e espaço de atuação nas diretrizes das políticas públicas de saúde brasileiras. O estomaterapeuta contribui de forma estratégica para a efetivação de políticas como a Política Nacional de Saúde da Pessoa com Deficiência, a Política Nacional de Atenção Básica e a Política Nacional de Humanização.Sua atuação fortalece os princípios do SUS, como a universalidade, integralidade e equidade, por meio de ações que promovem o acesso qualificado ao cuidado, a reabilitação e a reintegração social de usuários com condições crônicas complexas. Além disso, o estomaterapeuta é essencial na construção de linhas de cuidado e fluxos assistenciais, colaborando com a redução de internações evitáveis, a promoção da autonomia do paciente e o uso racional de recursos. Reconhecer o papel do estomaterapeuta nas políticas públicas é valorizar uma prática baseada em evidências, comprometida com a qualidade do cuidado, a educação em saúde e a defesa da dignidade humana.

Referências bibliográficas

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PEREIRA, S. M.; OLIVEIRA, L. A.; COSTA, K. A. A atuação do enfermeiro estomaterapeuta no cuidado ao paciente laringectomizado. Texto & Contexto Enfermagem, Florianópolis, v. 28, e20180234, 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/j/tce. Acesso em: 24 jul. 2025.
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ABRAPAC – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PACIENTES COM CÂNCER DE CABEÇA E
PESCOÇO. Informações e orientações para pacientes laringectomizados. São Paulo: ABRAPAC, 2024. Disponível em: https://www.abrapac.org.br. Acesso em: 24 jul. 2025.

Aurilene Lima da Silva

Enfermeira Estomaterapeuta TiSOBEST, Doutorado (2017) e Mestrado (2012) pelo Programa de Pós-graduação Cuidados Clínicos em Enfermagem e Saúde (PPCCLIS) da Universidade Estadual do Ceará e Presidente e Diretora do Conselho Científico da Seção Ceará.

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