Maio Roxo – Mês de Conscientização das Doenças Inflamatórias Intestinais

Maio Roxo – Mês de Conscientização das Doenças Inflamatórias Intestinais

O GEDIIB (Grupo de Estudos de Doenças Inflamatórias Intestinais do Brasil) apoia diversas ações no mês de conscientização das Doenças Inflamatórias Intestinais em todo o país.

No Brasil a campanha teve início em 2016 e vários municípios brasileiros fazem ações e promovem iniciativas para levar informações à população. Porém a campanha é feita todos os anos desde 2010 pela EFCCA (Federação Europeia de Colite Ulcerativa e Crohn) e o dia 19 de maio foi escolhido como o dia mundial de conscientização das Doenças Inflamatórias Intestinais o World IBD Day.

É extremamente importante que a sociedade tenha acesso as informações sobre as doenças inflamatórias intestinais (DII) e que políticas públicas tornem visíveis as mais de 100mil pessoas acometidas por uma DII no Brasil.

Estudos apontam diversos distúrbios ocasionados pelas Doenças Inflamatórias Intestinais, sendo que dentre as principais citam-se a Doença de Crohn e Colite Ulcerativa.

A Doença de Crohn (DC) é um processo inflamatório crônico, não curável por tratamento clínico ou cirúrgico, acomete o trato gastrointestinal de forma uni ou multifocal com intensidade variável e transmural. As manifestações clínicas mais frequentes são de natureza inflamatória, obstrutiva, estenosante e/ou fistulizante.

A retocolite ulcerativa (RCU) é uma doença crônica caracterizada pela inflamação difusa da mucosa limitada a região do intestino grosso (cólon) e do reto, as formas variam de leve a grave.

Ambas são de etiologia desconhecida, acometem adultos jovens, na faixa etária de 15 a 30 anos, porém podem se manifestar nos extremos de idade.

A minha trajetória na assistência direta ou indireta ao paciente com DII, se deu após um remanejamento para compor a equipe multidisciplinar, quando ocorreu a unificação do polo de estomias e ambulatório de doenças inflamatórias intestinais no Hospital público de Guarulhos. A partir dessa unificação, percebi a necessidade de ir em busca de informação e especialização na área, porém, no Brasil não temos especialidade em DII. Desta forma, após várias pesquisas, a alternativa que melhor se encaixaria em minhas necessidades foi a pós em Estomaterapia oferecida pela Universidade de Taubaté – UNITAU

A melhor escolha que poderia ter feito em minha carreira, a especialização agregou muito conhecimento a respeito da temática e abordagem aos pacientes que foram submetidos a confecção de um estoma, porém ainda buscava por algo mais específico, desta forma ingressei no GEDBII onde a pesquisa e discussões de casos enriqueceram meu conhecimento. 

Diante de tal desafio nos perguntamos qual é o papel do enfermeiro no manejo das Doenças Inflamatórias Intestinais?

Enfermeiros que trabalham direta ou indiretamente com doença inflamatória intestinal, atuam em todos os níveis de assistência. A atuação envolve pesquisa, docência, consultorias, e assistencial pré-operatório com orientações de preparos  e demarcação prévia para confecção de estomas, pós-operatório no manejo, avaliação para prevenir , identificar e tratar complicações precocemente, pré e pós-infusões endovenosas ou subcutâneas e supervisão de terapia biológica, esclarecer dúvidas em relação ao tratamento, em alguns serviços o enfermeiro faz essa orientação por tele consulta, que hoje com a pandemia, se tornou uma ferramenta de aproximação e apoio aos pacientes, assim como o acompanhamento do preparo para procedimentos endoscópicos e radiológicos. Cabe ainda, ao de enfermeiro, compor a equipe multidisciplinar e atuar em conjunto com médicos, nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais, desenvolvendo um trabalho mais motivacional e de incentivo ao autocuidado, valorização da autoestima dos pacientes e adesão ao tratamento.

Os enfermeiros devem saber que a doença inflamatória intestinal não é apenas uma diarreia constante, o paciente sente dor, fadiga e desânimo, entre outros sintomas que afetam a sua qualidade de vida e precisamos saber conduzir.

Para que esse trabalho seja ampliado, é fundamental que enfermeiros generalistas e especialistas nas áreas de Estomaterapia, conheçam cada vez mais as DII e suas complicações e tenham acesso a conteúdo científico e material de apoio para prestar assistência de forma abrangente e com total segurança para o profissional e paciente sob seus cuidados. Pensando nisso o GEDIIB abriu espaço para a enfermagem, em 2015 capacitou a primeira turma de enfermeiras em Doenças Inflamatórias Intestinais, do qual participei e após criamos então a Comissão de Enfermagem do GEDIIB da qual sou subcoordenadora e todo ano no congresso do GEDIIB, hoje denominado Semana Brasileira de Doença Inflamatória Intestinal (SEBRADII) acontece o curso pré congresso de Enfermagem em DII.

A Comissão de Enfermagem, trabalha para o crescimento e desenvolvimento dos membros associados, com pesquisa e educação em enfermagem norteados pelo Consenso Europeu de Enfermagem em DII – NECCO, contribuímos com o “Maio Roxo” através de ações do GEDIIB em palestras e eventos relacionados a temática em todo o Brasil.

Falar de enfermagem em DII, requer oportunidades como essa que a Associação Brasileira de Estomaterapia – SOBEST está nos dando, aproveito para agradecer o convite para falar sobre essa temática tão importante. Aproveito também para deixar o convite para os enfermeiros (as) e colegas Estomaterapeutas sócios da SOBEST para participar da 2ª Semana Brasileira de Doença Inflamatória Intestinal( SEBRADII), e VI Curso de Capacitação de Enfermagem em DII que acontecerá de 17 a 21 de agosto de 2021 –  inscrições através do site. Dúvida entrar em contato através do email: [email protected]

Gratidão!

Sílvia Alves da Silva Carvalho

Silvia Alves da Silva Carvalho
Enfermeira Estomaterapeuta Membro associada a SOBEST
Graduanda de Medicina 
Subcoordenadora da Comissão de Enfermagem – GEDIIB 
Sócio colaborador do GEDIIB
Speaker Janssen – PRO-Nurses
Membro Comitê de Auditoria de Processos de Trabalho – Complexo Hospitalar Padre Bento de Guarulhos – CHPBG
Membro do CEP – Comitê de Ética e Pesquisa CHPBG