Campanha Nacional de Prevenção do Câncer de Cabeça e Pescoço faz alerta sobre diagnóstico precoce

Campanha Nacional de Prevenção do Câncer de Cabeça e Pescoço faz alerta sobre diagnóstico precoce

Iniciativa liderada pela Associação Brasileira de Câncer de Cabeça e Pescoço – ACBG Brasil pretende dar mais visibilidade à doença. A cada ano, mais de 40 mil novos casos são registrados no Brasil tardiamente.

A Associação Brasileira de Câncer de Cabeça e Pescoço (ACBG Brasil), em parceria com a Sociedade Brasileira de Cabeça e Pescoço (SBCCP), realiza neste ano a quinta edição do Julho Verde. Em 2021, a Campanha Nacional de Prevenção do Câncer de Cabeça e Pescoço fixa o slogan “O câncer tá na cara, mas às vezes você não vê”. A mensagem visa conscientizar a população sobre a importância do autocuidado e atenção aos primeiros sinais e sintomas da doença para obtenção de um diagnóstico precoce, ampliando as taxas de cura com menos sequelas. 

Neste ano, por conta da pandemia da covid-19, chama-se atenção para a exposição de pacientes de câncer de laringe traqueostomizados (pessoas com orifício que permite a comunicação entre a traqueia e o meio externo) à doença. Os mesmos estão completamente vulneráveis ao vírus, são imunocomprometidos, sem qualquer proteção que impeça a contaminação direta no pulmão pelo coronavírus. Por isso, a ACBG Brasil demanda a dispensação de filtros e adesivos pelas Secretarias Estaduais da Saúde, como já ocorre em Santa Catarina e no Ceará.

Anualmente, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) registra cerca de 40 mil novos casos de cânceres de cabeça e pescoço, denominação genérica de tumores que se originam em regiões das vias aéreo-digestivas, como boca, língua, gengivas, bochechas, amígdalas, faringe, laringe e seios paranasais. Os principais fatores de risco para estes tumores são:

  • Consumo de tabaco (todos os tipos de cigarros, charutos e cachimbos) e álcool; 
  • Má higiene bucal;
  • Infecção viral pelo vírus do papiloma humano (HPV), transmitido principalmente através de relações sexuais desprotegidas (inclusive sexo oral);
  • Consumo de bebidas quentes, principalmente as tradicionalmente servidas em temperaturas muito altas, como o chimarrão/mate;
  • Exposição excessiva ao sol (câncer de lábios, couro cabeludo);
  • Exposição durante o trabalho à poeira de madeira, poeira de têxteis, pó de níquel, colas, agrotóxicos, amianto, sílica, benzeno, produtos radioativos;
  • Infecção pelo vírus de Epstein-Barr (EBV), que pode causar a mononucleose infecciosa, uma manifestação do vírus transmitida por contato com outras salivas.

“Até 2022, cerca de 45 mil pessoas no país poderão perder parte de suas faces por causa do câncer na cavidade oral. Em média, 22.950 brasileiros correm o risco de perder a voz em consequência de um câncer de laringe. Precisamos agir”, alerta Melissa Ribeiro, fundadora e presidente voluntária na ACBG Brasil.

Neste contexto, destaca-se o diagnóstico tardio: a cada quatro novos casos, três chegam em estágio avançado da doença, resultando no óbito de cerca de 50% desta população. Por isso, procure um médico ou dentista, caso sejam identificados um ou mais dos principais sintomas e sinais que durem por duas semanas ou mais:

  • Ferida no rosto/boca que não cicatriza;
  • Mancha avermelhada ou esbranquiçada na boca;
  • Dentes moles ou dor em torno deles;
  • Mudança na voz ou rouquidão;
  • Dificuldade/dor para mastigar ou engolir;
  • Caroço no pescoço;
  • Irritação ou dor na garganta;
  • Mau hálito frequente.

Mesmo após o tratamento, que pode ser realizado com cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou imunoterapia, o câncer de cabeça e pescoço pode causar sequelas irreversíveis, mexendo com a estética facial, com a deglutição e alimentação, com a fala e a voz.

“Os pacientes enfrentam desafios como deformação da face e do pescoço, diminuição do paladar e olfato, perdas funcionais como fala, respiração, mastigação, deglutição, audição e visão, que afetam sua qualidade de vida”, ressalta Melissa Ribeiro. Existe, ainda, a dificuldade de reinserção social e de reabilitação destes pacientes, causada pela falta de informação e de políticas públicas voltadas a esta questão.

A ACBG Brasil trabalha para que, em 2021, a Campanha Nacional de Prevenção do Câncer de Cabeça e Pescoço alcance todos os estados do Brasil, abordando tanto a questão da prevenção, quanto do diagnóstico, tratamento e reabilitação. O Julho Verde ocorre do dia 1.º ao 31 de julho, sendo 27/07 o Dia Mundial de Prevenção do Câncer de Cabeça e Pescoço.

Sobre a ACBG Brasil

A ACBG Brasil é uma organização da sociedade civil de direito privado, sem fins lucrativos, habilitada como OSCIP que trabalha em prol dos pacientes e portadores de câncer de cabeça e pescoço, e seus familiares em todo o Brasil.

A presidente, Melissa Medeiros, teve câncer de laringe e sobreviveu após um longo e doloroso tratamento. No entanto, perdeu sua voz natural para sempre. A ACBG Brasil nasceu da vontade dela em ser útil à sociedade mesmo sem voz, tentando melhorar a jornada do paciente que passa por tal situação. Com o incentivo e orientação de seu filho, Gabriel Marmentini, criaram a primeira organização social voltada para acolher os pacientes com câncer de cabeça e pescoço no Brasil. Sendo o principal objetivo criar e melhorar as políticas públicas de saúde e de direitos básicos dessa população.

A entidade atua em três eixos principais:

  • Advocacy – Envolve a realização de iniciativas que visam a defesa de uma causa e a busca por melhores políticas públicas;
  • Inclusão – projetos que visam o acolhimento, a integração dos pacientes na sociedade e a implementação de projetos que devolvem a dignidade como pessoa humana a sobreviventes que precisam de algum tipo de reabilitação;
  • Informação – Execução e apoio de campanhas de conscientização, organização de eventos, palestras de prevenção em organizações e escolas, geração de conteúdo.