O Aleitamento materno e a Estomaterapia

O aleitamento materno e a estomaterapia

O aleitamento materno é amplamente reconhecido como uma prática essencial para a promoção da saúde materno-infantil, apresentando benefícios que transcendem a dimensão nutricional e alcançam aspectos funcionais, estruturais e sociais.

Segundo o Ministério da Saúde “O aleitamento materno é uma das prioridades do Governo Federal”. A recomendação é amamentar até os dois anos de idade ou mais, e que nos primeiros 6 meses, o bebê receba somente leite materno (aleitamento materno exclusivo). Depois dos seis meses, a amamentação não deve ser interrompida, mas deve ser complementada com outros alimentos saudáveis e próprios dos hábitos da família.

O aleitamento materno está associado a uma redução de até 13% na mortalidade infantil, segundo estimativa da Organização Mundial de Saúde.

Os profissionais de saúde devem oferecer orientações baseadas em evidências às mães desde o pré-natal até o pós-parto, incentivando a preparação para a amamentação, garantindo o suporte necessário para superar problemas de pega, frequência das mamadas, dor durante a amamentação e dúvidas sobre a produção de leite.

O aleitamento materno fortalece o vínculo afetivo entre mãe e filho, contribuindo para a saúde materna, reduzindo o risco de doenças como câncer de mama e diabetes, assim como proporcionando benefícios econômicos ao reduzir os custos com alimentação infantil.

A Enfermeira Estomaterapeuta é a profissional que cuida de lesões, estomias e incontinências. Na área da amamentação, as feridas podem ser desenvolvidas e isso promove o desmame precoce, colocando em risco todos os benefícios da amamentação.

A seguir vamos contextualizar mais esse tema.

CONTEXTUALIZAÇÃO

Em termos anatômicos, a mama inteira é considerada um órgão onde a parte funcional é a glândula mamária localizada internamente, responsável pela produção do leite. Assim, ela é composta por tecido glandular, conhecido como tecido mamário, que contém os alvéolos (produtores de leite) rodeados por células mioepiteliais, (contraem e liberaram o leite para os ductos lactíferos). Através dos ductos lactíferos que o leite é transportado dos alvéolos para os mamilos, saindo o leite durante a amamentação. Um óleo lubrificante é produzido e secretado pelas glândulas de Montgomery (ficam ao redor do mamilo, área pigmentada) durante a amamentação finalizando proteger a área e lubrificar.

O processo de amamentação se inicia quando o bebê suga o mamilo promovendo impulsos nervosos que são enviados para o cérebro, liberando ocitocina para contrair as células mioepiteliais liberando o leite nos ductos lactíferos.

O leite materno proporciona muitos benefícios à criança e à mãe. Na criança, promove melhor desenvolvimento intelectual, previne obesidade, doenças cardíacas, contagiosas e alérgicas e alivia cólicas. Na mãe, atua na prevenção de câncer de útero e mama, hemorragias pós-parto, doenças cardiovasculares e na recuperação do peso pré-gestacional, além de evitar a osteoporose.

Algumas complicações podem interferir no processo de amamentação como aparecimento de fissuras nos mamilos, ingurgitamento mamário, mastite e candidíase mamária. Nesse sentido, é essencial que se identifique precocemente essas alterações e ofereça um tratamento adequado garantindo assim uma experiência positiva para as mães e seus bebês.

A incidência de lesão mamilar é de mais da metade das mães no período puerperal. Esse trauma é uma das principais causas do abandono da amamentação, que geralmente ocorre na primeira semana pós-parto, decorrente principalmente da pega inadequada do neonato ao mamilo.

O trauma mamilar acarreta alteração na pele do mamilo, podendo evoluir para lesões primárias (eritema, equimose, hematoma, vesícula e bolha) ou secundárias (edema, fissura, erosão, escoriação e ulceração). As fissuras são a porta de entrada para bactérias, por isso deve-se solucionar esse problema o mais rápido possível.

A dor na amamentação é outro problema que potencializa a parada do processo. A causa mais comum se deve as lesões nos mamilos. Outras causas incluem mamilos curtos, planos ou invertidos, disfunções orais na criança, freio de língua excessivamente curto, sucção não nutritiva prolongada, uso impróprio de bombas de extração de leite, não interrupção adequada da sucção da criança quando for necessário retirá-la do peito, uso de cremes e óleos que causam reações alérgicas nos mamilos, uso de protetores de mamilo (intermediários) e exposição prolongada a forros úmidos.

O manejo adequado baseado em evidências científicas reduz a taxa de desmame precoce. O que não tem comprovação de sua eficácia pode ser prejudicial. Por exemplo, não há evidências de que mulheres de pele clara são mais vulneráveis a lesões mamilares que mulheres com pele escura.

O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) atua ativamente na promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, normatizando a assistência da equipe de Enfermagem em Unidades Básicas de Saúde, maternidades e Bancos de Leite Humano por meio de diretrizes técnicas e resoluções específicas. A RESOLUÇÃO COFEN Nº 741 DE 27 DE FEVEREIRO DE 2024 regulamenta e normatiza a Assistência de Enfermagem nos Bancos de Leite Humano e Posto de Coleta de Leite Humano.

A SOBEST incentiva que a Enfermeira Estomaterapeuta que se formou em curso acreditado e que trabalha no cuidado de mulheres no pré-natal e pós-natal a focar no alívio dos sintomas das complicações durante a amamentação, na aceleração da cicatrização das lesões e na promoção de uma amamentação mais confortável e eficaz. Nesse sentido, a Enfermeira Estomaterapeuta tem condições por meio de práticas baseadas em evidências e técnicas avançadas de tratamento, de auxiliar na prevenção e tratamento das lesões cutâneas mamárias. Em casos mais complexos, Enfermeira Estomaterapeuta é a profissional capaz de realizar tratamentos eficazes e acolhedores, permitindo que a amamentação ocorra sem dor e com extremo conforto tanto para a mãe quanto para o/a bebê.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A prevenção das lesões mamilo-areolares é fundamental para promover uma amamentação confortável e duradoura, visto que a dor mamilar é um dos motivos mais comuns de desmame precoce.

Promover políticas públicas que incentivem e assegurem a prevenção de lesões não colocando em risco a amamentação exclusiva até os seis meses é muito importante e necessário. A garantia ao acesso a alimentos saudáveis, considerando as especificidades culturais e sociais da população, auxilia a melhorar a saúde e o bem-estar das mães e crianças.

A Enfermeira exerce um papel crucial na promoção do aleitamento materno, atuando em diferentes momentos, sendo a relação de confiança entre a enfermeira e a mãe fundamental para fortalecer a prática do aleitamento materno e promover a saúde da criança e da mulher. As terapias de prevenção devem ser realizadas por consulta de uma profissional preferencialmente Enfermeira Estomaterapeuta pela sua formação cientifica e prática baseada em evidências.

Soraia Rizzo

Enfermeira Estomaterapeuta TiSobest, Implantou o PROGRAMA PROIBIDO FERIDAS Na Secretaria Municipal da Saúde de SP, Enfermeira Tele consultora para assuntos de Estomaterapia pela plataforma Telessaúde da AMAZONIA, Sócia proprietária da Skin Healthy, empresa de atendimento domiciliar especializado em Estomaterapia, 1ª tesoureira SOBEST, membro do comitê eleitoral pela COMLHEI, membro do comitê de relações de políticas públicas pelo COMLHEI, membro efetivo da WCET e WOCN

REFERÊNCIAS

  1. Organização Mundial da Saúde (OMS); Ministério da Saúde. Recomendações sobre aleitamento materno e vedação da amamentação cruzada. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/aleitamento-materno. Acesso agosto 2026
  2. BRASIL. PORTARIA Nº 2.193, DE 14 DE SETEMBRO DE 2006. Define a estrutura e a atuação dos Bancos de Leite Humano (BLH). Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2006/prt2193_14_09_2006.html . Acesso agosto 2026
  3. CHAGAS, A.L.C.. Autocuidado no manejo de lesões mamilo-areolares relacionadas à amamentação: avaliação de conteúdo educativo. Natal/RN, 2023. file:///C:/Users/soest/OneDrive/%C3%81rea%20de%20Trabalho/SOBEST/particular/LAUDA/A%20ESTOMATERAPIA%20E%20ALEITAMENTO%20MATERNO/AutocuidadoManejoLesoesMamiloareolares_Chagas_2023.pdf Acessado em Agosto 2026.
  4. Silva JI, Chagas AL, Sena BO, Lima CA, Santos GV, Campelo MC, et al. Intervenções eficazes para tratamento de trauma mamilar decorrente da amamentação: revisão sistemática. Acta Paul Enferm. 2022;35:eAPE01367. DOI http://dx.doi.org/10.37689/acta-ape/2022AR0001367 Acessado em agosto de 2026
  5. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: aleitamento materno e alimentação complementar / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. 2. ed. Brasília, Ministério da Saúde, 2015. 184 p.: il. (Cadernos de Atenção Básica; n. 23). https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-crianca/publicacoes/saude-da-crianca-aleitamento-materno-e-alimentacao-complementar/view Acessado em Agosto de 2026

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