As doenças neurodegenerativas, como a Doença de Parkinson, a Doença de Alzheimer, entre outras, caracterizam-se pela progressiva perda das funções motoras e cognitivas, resultando em dependência crescente para a realização das atividades de vida diária. Nesse contexto, esses pacientes apresentam risco elevado para o desenvolvimento de lesões cutâneas, decorrente de fatores como imobilidade, alterações sensoriais, desnutrição e comprometimento cognitivo, os quais dificultam a percepção de desconforto e a realização de mudanças espontâneas de decúbito.
Na Doença de Parkinson, especificamente, a rigidez muscular, a bradicinesia e a instabilidade postural contribuem significativamente para a redução da mobilidade, além de aumentarem o risco de quedas e traumas. Paralelamente, em pacientes idosos e neurológicos, observam-se alterações estruturais da pele, como diminuição da elasticidade, redução da espessura dérmica e comprometimento da vascularização, fatores que aumentam a vulnerabilidade para lesões cutâneas.
Dentre as lesões mais frequentemente observadas nesse grupo, destacam-se as lesões por fricção (skin tears), cisalhamento e traumas por impacto, além das lesões por pressão e das lesões associadas à umidade (MASD – Moisture-Associated Skin Damage). Estas últimas incluem dermatite associada à incontinência, dermatite intertriginosa e lesões relacionadas ao excesso de exsudato, sendo particularmente prevalentes devido à exposição prolongada da pele à umidade, frequentemente associada à incontinência urinária e fecal.
O Enfermeiro Estomaterapeuta apresenta papel fundamental no estabelecimento de estratégias para desenvolver a prevenção dessas lesões. Baseando-se em intervenções sistematizadas como: a avaliação de risco (como a Escala de Braden), mudanças frequentes de decúbito, utilização de superfícies de redistribuição de pressão, manutenção da integridade da pele por meio de hidratação adequada e uso de barreiras protetoras, além da capacitação de cuidadores.
Adicionalmente, tecnologias em saúde vêm sendo incorporadas à prática assistencial promovendo a prevenção de lesões, com o uso de coberturas profiláticas, terapias adjuvantes como a laserterapia de baixa intensidade, e estratégias de telemonitoramento, ampliando a capacidade de intervenção precoce e a continuidade do cuidado.
Dessa forma, o manejo das lesões de pele em pacientes com doenças neurodegenerativas requer uma abordagem multidisciplinar, com destaque para a atuação do enfermeiro estomaterapeuta. A identificação precoce dos fatores de risco, aliada à implementação de protocolos assistenciais baseados em evidências, é essencial para a prevenção de agravos, o tratamento adequado das lesões e a promoção da qualidade de vida desses pacientes.
Referências
- FACCAT, L. P. et al. Prevenção de lesão por pressão: revisão integrativa. Revista Enfermagem Atual In Derme, 2023.
- SILVA, D. D. S. et al. Tecnologias usadas pelos enfermeiros na prevenção e tratamento de lesão por pressão. Revista Ibero-Americana, 2023.
- LOPES, M.; TEIXEIRA, F. Fatores predisponentes para lesão por pressão. Saúde Dinâmica, 2024.
- Revista Enfermagem Atual In Derme. Prevenção e tratamento de LP em idosos, 2024.
- COSTA, I. M. et al. Uso de laser no tratamento de LP. Congresso Brasileiro de Estomaterapia, 2024.
- KOTTNER, J. et al. Prevention and treatment of incontinence-associated dermatitis. International Wound Journal, 2020

Caroline Padovani de Souza
Especialista em Estomaterapia pelo Centro Universitário São Camilo.
Especialista em Enfermagem Intensiva pela Universidade Estácio de Sá.
Especialista em Saúde Pública pela Universidade Federal de São Paulo – Unifesp.
Estomaterapeuta em Polo de Curativos do Município de São Paulo – 2021 à 2023.
Laserterapeuta atuação em tratamento e Prevenção de Lesões.
