O leite materno é inquestionavelmente o melhor alimento para recém-nascidos e bebês, pois fornece todos os nutrientes necessários na quantidade ideal para o crescimento e desenvolvimento infantil. Por essa razão, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida e, a partir de então, a introdução de alimentos complementares, mantendo a amamentação até os 2 anos de idade ou mais (WHO, 2018).
O leite materno é um alimento “vivo” e extremamente adaptável. Além de conter proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais, sua composição inclui substâncias imunológicas e fatores de crescimento que protegem o intestino contra infecções e o organismo contra diversas doenças (GIMENES, 2021). Seu conteúdo nutricional muda para atender às necessidades específicas do bebê à medida que ele cresce, podendo até variar ao longo de um mesmo dia.
Além das vantagens para o bebê, o aleitamento materno proporciona inúmeros benefícios às mães. Ajuda na redução do sangramento pós-parto, diminui o risco de câncer de mama e de ovário e contribui para que a mulher retorne ao seu peso pré-gestacional com mais facilidade (MOURA et al., 2017). Mais do que isso, o ato de amamentar fortalece laços profundos entre mãe e filho, promovendo um vínculo emocional único.
Embora a amamentação ofereça benefícios amplamente reconhecidos, muitas mães enfrentam dificuldades nesse processo, o que pode levá-las ao abandono precoce da prática. As mudanças na rotina, no corpo e no aspecto emocional podem tornar esse momento desafiador. Por isso, o apoio nos primeiros meses é crucial para o sucesso da amamentação.
A amamentação não deve causar dor. No início, é comum haver desconforto enquanto mãe e bebê se adaptam, mas ajustes na pega e na posição podem resolver rapidamente esses problemas. Caso ocorram complicações como fissuras mamilares ou ingurgitamento, é fundamental oferecer estratégias para estimular a continuidade da prática e aliviar o sofrimento da mãe. Ferramentas como o laser de baixa intensidade têm se mostrado eficazes em auxiliar na recuperação, principalmente quando combinadas com outros cuidados, como: ajustes na pega e posicionamento durante as mamadas; uso de rosquinhas de amamentação; compressas adequadas e compartilhamento do cuidado com familiares, quando possível, para reduzir o estresse da puérpera.
Além dos cuidados técnicos, é essencial que os profissionais de saúde desmistifiquem mitos comuns, como: “esse leite é fraco” ou “acho que o bebê ainda está com fome”. Essas falácias podem impactar negativamente a confiança da mãe, mas podem ser desconstruídas com orientação clara e suporte apropriado.
Conscientizar e apoiar a prática da amamentação é uma responsabilidade coletiva. O leite materno é mais do que um alimento: é uma verdadeira solução para promover saúde, prevenir doenças e criar bases sólidas para o desenvolvimento das novas gerações. Ao disseminar informações sobre as vantagens do aleitamento materno e oferecer suporte às mães, contribuímos para um futuro mais equilibrado e saudável.
Referências bibliográficas
WHO: World Health Organization. Implementation guidance: protecting, promoting and supporting breastfeeding in facilities providing maternity and newborn services: the revised Baby-Friendly Hospital Initiative [Internet]. Geneva: Department of Nutrition for Health and Development, WHO; 2018
GIMENEZ, G. Leite fraco? Guia prático para uma amamentação sem mitos. Curitiba: Matrescência, 2021.
MOURA, L. P. et al. Percepção de mães cadastradas em uma Estratégia Saúde da Família sobre aleitamento materno exclusivo, Revista de Enfermagem UFPE online, v. 11, supl. 3, p. 1403-1409, mar. 2017.

Ane Milena Macêdo de Castro Schroeder
Estomaterapeuta pelo Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (SP). TiSOBEST, Membro da seção SOBEST – MS e WCET. Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFMS. Especialista pela Residência Multiprofissional em Cuidados Continuados Integrados PREMUS/UFMS. Especialista em fotobiomodulação na saúde pela InLaser. CEO da AM Consult e Instituto Illume. Docente e preceptora de pós graduações em estomaterapia.
