{"id":14527,"date":"2026-03-13T13:00:20","date_gmt":"2026-03-13T16:00:20","guid":{"rendered":"https:\/\/sobest.com.br\/?p=14527"},"modified":"2026-03-13T13:09:42","modified_gmt":"2026-03-13T16:09:42","slug":"incontinencia-urinaria-como-problema-saude-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobest.com.br\/en\/incontinencia-urinaria-como-problema-saude-publica\/","title":{"rendered":"Incontin\u00eancia urin\u00e1ria como problema de sa\u00fade p\u00fablica: evid\u00eancia, impacto e responsabilidade coletiva"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\">Refletindo sobre o processo hist\u00f3rico da incontin\u00eancia urin\u00e1ria, a primeira descri\u00e7\u00e3o foi feita por Hip\u00f3crates, h\u00e1 460 anos antes de Cristo. Desde ent\u00e3o, o processo de perda urin\u00e1ria vem sendo naturalizado como uma condi\u00e7\u00e3o da mulher, frequentemente associado ao envelhecimento, \u00e0 gesta\u00e7\u00e3o e ao parto. Fica o questionamento: se a incontin\u00eancia urin\u00e1ria j\u00e1 era descrita h\u00e1 aproximadamente 2.500 anos, por que, em pleno s\u00e9culo XXI, ainda permanece invisibilizada e negligenciada nos servi\u00e7os de sa\u00fade?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ICS recomenda o<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/conitec\/pt-br\/midias\/consultas\/relatorios\/2019\/relatrio_-incontinncia_urinria_no_neurognica_cp_47_2019.pdf\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> tratamento conservador<\/a>, incluindo o treinamento da musculatura do assoalho p\u00e9lvico (TMAP) e as modifica\u00e7\u00f5es comportamentais, como primeira linha de cuidado, sendo esse um direito da pessoa que perde urina de receber esse tratamento antes de tratamentos farmacol\u00f3gicos ou cir\u00fargicos. Embora o tratamento conservador apresente <a href=\"https:\/\/ojs.observatoriolatinoamericano.com\/ojs\/index.php\/olel\/article\/view\/3219#:~:text=SUS%20funding%20faces%20challenges%20of,approach%2C%20and%20active%20community%20participation.\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">taxas de efic\u00e1cia de at\u00e9 70%<\/a>, ele ainda n\u00e3o est\u00e1 incorporado de forma sistem\u00e1tica na rede p\u00fablica. A aus\u00eancia de fluxos estruturados, de capacita\u00e7\u00e3o profissional ampliada e de pol\u00edticas p\u00fablicas espec\u00edficas contribui para a manuten\u00e7\u00e3o da invisibilidade do problema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com isso, as pessoas que vivem com perda urin\u00e1ria apresentam consequ\u00eancias que ultrapassam o sintoma inicial, com maior risco de depress\u00e3o e ansiedade, isolamento social e preju\u00edzo significativo na qualidade de vida. Atividades cotidianas simples, como caminhar, participar de atividades religiosas e realizar tarefas dom\u00e9sticas, passam a ser evitadas devido ao medo de perda urin\u00e1ria. Entre pessoas idosas, a urg\u00eancia miccional est\u00e1 associada ao aumento do risco de quedas, al\u00e9m de maior incid\u00eancia de infec\u00e7\u00f5es do trato urin\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m dos impactos f\u00edsicos e psicossociais, a incontin\u00eancia urin\u00e1ria tamb\u00e9m acarreta repercuss\u00f5es econ\u00f4micas significativas. As complica\u00e7\u00f5es associadas \u00e0 condi\u00e7\u00e3o podem levar \u00e0 hospitaliza\u00e7\u00e3o e ao aumento da demanda por servi\u00e7os de sa\u00fade, al\u00e9m de gastos cont\u00ednuos com insumos de conten\u00e7\u00e3o. H\u00e1 ainda consequ\u00eancias relacionadas ao afastamento laboral e \u00e0 institucionaliza\u00e7\u00e3o da pessoa idosa, o que amplia o impacto social e financeiro dessa condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse cen\u00e1rio, a enfermagem brasileira assume um papel estrat\u00e9gico. Como maior for\u00e7a de trabalho em sa\u00fade, presente em todos os n\u00edveis de aten\u00e7\u00e3o, possui potencial singular para ampliar o acesso ao tratamento conservador. O respaldo legal est\u00e1 estabelecido pelo Parecer 04\/2016 do Conselho Federal de Enfermagem, que reconhece a atua\u00e7\u00e3o da enfermagem nas disfun\u00e7\u00f5es do assoalho p\u00e9lvico. Contudo, para que essa atua\u00e7\u00e3o se consolide de forma mais ampla, \u00e9 necess\u00e1rio <a href=\"https:\/\/sobest.com.br\/en\/formacao-fundamental-para-o-sucesso-do-especialista\/\">investir em capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica<\/a> e em educa\u00e7\u00e3o permanente, especialmente na Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria \u00e0 Sa\u00fade. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fortalecer o tratamento conservador na rede p\u00fablica significa reduzir as filas para a aten\u00e7\u00e3o especializada, evitar medicaliza\u00e7\u00e3o e cirurgias desnecess\u00e1rias e otimizar os recursos do Sistema \u00danico de Sa\u00fade. Isso demanda compromisso de gestores municipais, estaduais e federais, com a inclus\u00e3o do tema nas pol\u00edticas de sa\u00fade da mulher e a estrutura\u00e7\u00e3o de protocolos assistenciais vi\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reconhecer a incontin\u00eancia urin\u00e1ria como um problema de sa\u00fade p\u00fablica \u00e9 o primeiro passo. \u00c9 necess\u00e1rio romper o tabu que ainda envolve o tema, ampliar a informa\u00e7\u00e3o e fortalecer o debate sobre o tratamento conservador. Neste Dia Internacional da Incontin\u00eancia Urin\u00e1ria, o compromisso deve ser coletivo: envolve a sociedade, na supera\u00e7\u00e3o do sil\u00eancio; os profissionais de sa\u00fade, na qualifica\u00e7\u00e3o do cuidado; e, sobretudo, os gestores e as institui\u00e7\u00f5es, na organiza\u00e7\u00e3o da rede de aten\u00e7\u00e3o para garantir acesso ao tratamento de primeira linha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DUNCAN, I.; STOCKING, A.; FITZNER, K.; AHMED, T.; HUYNH, N. The prevalence of incontinence and its association with urinary tract infections, dermatitis, slips and falls, and behavioral disturbances among older adults in Medicare fee-for-service. Journal of Wound, Ostomy and Continence Nursing, v. 51, n. 2, p. 138-145, 2024. DOI: 10.1097\/WON.0000000000001054.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Parecer de C\u00e2mara T\u00e9cnica n\u00ba 04\/2016\/CTAS\/COFEN. Manifesta\u00e7\u00e3o sobre procedimentos da \u00e1rea de enfermagem. 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FERNANDES, A. C. N. et al. Pelvic floor muscle training with feedback or biofeedback for urinary incontinence in women. Cochrane Database of Systematic Reviews, v. 3, n. 3, p. CD009252, 2025. DOI: 10.1002\/14651858.CD009252.pub2.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-rounded\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1060\" height=\"1280\" src=\"https:\/\/sobest.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Foto_Edimaria.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14528\" style=\"object-fit:cover;width:150px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/sobest.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Foto_Edimaria.jpeg 1060w, https:\/\/sobest.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Foto_Edimaria-248x300.jpeg 248w, https:\/\/sobest.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Foto_Edimaria-848x1024.jpeg 848w, https:\/\/sobest.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Foto_Edimaria-768x927.jpeg 768w, https:\/\/sobest.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Foto_Edimaria-10x12.jpeg 10w\" sizes=\"(max-width: 1060px) 100vw, 1060px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Edimaria de Carvalho de Sousa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enfermeira, especialista em Sa\u00fade da Mulher pela Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), mestranda pela Escola de Enfermagem da Universidade de S\u00e3o Paulo (EEUSP), com linha de pesquisa e atua\u00e7\u00e3o cl\u00ednica na \u00e1rea das disfun\u00e7\u00f5es do assoalho p\u00e9lvico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Refletindo sobre o processo hist\u00f3rico da incontin\u00eancia urin\u00e1ria, a primeira descri\u00e7\u00e3o foi feita por Hip\u00f3crates, h\u00e1 460 anos antes de Cristo. 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