{"id":14286,"date":"2025-11-18T11:56:28","date_gmt":"2025-11-18T14:56:28","guid":{"rendered":"https:\/\/sobest.com.br\/?p=14286"},"modified":"2025-11-18T11:56:28","modified_gmt":"2025-11-18T14:56:28","slug":"diabetes-mellitus-impactos-controle-glicemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobest.com.br\/en\/diabetes-mellitus-impactos-controle-glicemia\/","title":{"rendered":"Diabetes Mellitus: Impactos que Ultrapassam o Controle da Glicemia"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\">O Diabetes Mellitus (DM) atualmente \u00e9 uma das condi\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas mais crescente no mundo. Mesmo com novas tecnologias de monitoriza\u00e7\u00e3o e terapias, e com maior detec\u00e7\u00e3o precoce, o n\u00famero de pessoas vivendo com a doen\u00e7a segue em ascens\u00e3o, impulsionado, entre outros fatores, pelo envelhecimento populacional. Em 2024, o <a href=\"https:\/\/diabetesatlas.org\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/diabetesatlas.org\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Atlas da Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Diabetes (IDF) <\/a>estimou 589 milh\u00f5es de adultos tinham DM -uma em cada nove pessoas &#8211; com proje\u00e7\u00e3o de 853 milh\u00f5es at\u00e9 2050. A <a href=\"https:\/\/www.who.int\/pt\/about\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.who.int\/pt\/about\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) <\/a>refor\u00e7a que a preval\u00eancia dobrou nas \u00faltimas d\u00e9cadas e segue aumentando, sobretudo em pa\u00edses de baixa e m\u00e9dia renda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Viver com DM vai muito al\u00e9m do controle glic\u00eamico. A doen\u00e7a interfere em todo o processo de viver da pessoas, afetando n\u00e3o s\u00f3 sua condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica, mas interferindo em atividades do cotidiano: no lazer, no trabalho e na autonomia. Quando mal controlada pode ainda comprometer vis\u00e3o, rins, cora\u00e7\u00e3o, vasos e nervos, com impacto direto na mobilidade e na capacidade de realizar atividades di\u00e1rias. A OMS descreve essas complica\u00e7\u00f5es\u2014incluindo infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e amputa\u00e7\u00f5es\u2014como causas centrais de incapacidade e mortalidade relacionadas ao DM.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os desfechos mais desafiadores est\u00e3o as feridas relacionadas ao DM. A combina\u00e7\u00e3o de neuropatia e doen\u00e7a vascular favorece o surgimento de \u00falceras de dif\u00edcil cicatriza\u00e7\u00e3o e infec\u00e7\u00f5es recorrentes, elevando significativamente o risco de amputa\u00e7\u00e3o. A literatura, assim como a pr\u00e1tica cl\u00ednica dos Estomaterapeutas, destacam que uma parcela expressiva das amputa\u00e7\u00f5es \u00e9 precedida por \u00falceras nos p\u00e9s\u2014revelando uma janela cr\u00edtica para preven\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o em <a href=\"https:\/\/sobest.com.br\/en\/novembro-azul-diabetes-e-bem-estar\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/sobest.com.br\/novembro-azul-diabetes-e-bem-estar\/\">auto cuidado<\/a> e abordagem interdisciplinar. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade tamb\u00e9m ressalta que aproximadamente um quarto das pessoas com DM desenvolver\u00e1 \u00falcera nos p\u00e9s ao longo da vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, os n\u00fameros de amputa\u00e7\u00f5es s\u00e3o elevados e preocupantes. An\u00e1lise nacional do SUS (2008\u20132020) identificou 633.455 amputa\u00e7\u00f5es de membros inferiores, com tend\u00eancia de crescimento e o diabetes despontando como diagn\u00f3stico associado cada vez mais frequente. Tamb\u00e9m dados recentes de \u00f3rg\u00e3os e sociedades apontam milhares de amputa\u00e7\u00f5es anuais. Esses desfechos reduzem qualidade de vida, aumentam custos, afastam do trabalho e ampliam a demanda por reabilita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reduzir esses impactos exige cuidado cont\u00ednuo e integrado: educa\u00e7\u00e3o em sa\u00fade, ades\u00e3o terap\u00eautica, rastreio\/controle de fatores de risco, avalia\u00e7\u00e3o regular dos p\u00e9s, acesso oportuno a servi\u00e7os especializados e atua\u00e7\u00e3o interprofissional (com papel central de Enfermagem e Estomaterapia) para prevenir, tratar e reabilitar \u2014evitando infec\u00e7\u00f5es e amputa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Prevenir \u00e9 salvar p\u00e9s, vidas e hist\u00f3rias! Por isso refor\u00e7amos a import\u00e2ncia de:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2705 Avalia\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica dos p\u00e9s em todos os pacientes com diabetes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2705 Educa\u00e7\u00e3o em auto cuidado \u2013 inspe\u00e7\u00e3o di\u00e1ria dos p\u00e9s, hidrata\u00e7\u00e3o e uso de cal\u00e7ados adequados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2705 Encaminhamento precoce para equipes especializadas e estomaterapeutas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2705 Implementa\u00e7\u00e3o de protocolos baseados em evid\u00eancias para preven\u00e7\u00e3o e manejo de feridas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Identificar riscos para desenvolvimento de feridas e amputa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m \u00e9 ponto importante de esclarecimentos! Por isso refor\u00e7amos a import\u00e2ncia de ensinar ao paciente\/fam\u00edlia e cuidadores a vigil\u00e2ncia sob esses riscos: calos, fissuras ou rachaduras nos p\u00e9s; feridas que n\u00e3o cicatrizam em at\u00e9 duas semanas; sensa\u00e7\u00e3o de \u201cp\u00e9 dormente\u201d ou perda de sensibilidade; sapatos apertados provocando bolhas ou machucados; unhas encravadas ou infec\u00e7\u00f5es recorrentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cuidar do diabetes \u00e9 cuidar da autonomia, da mobilidade e da dignidade das pessoas!<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas <\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">INTERNATIONAL DIABETES FEDERATION (IDF). IDF Diabetes Atlas. 10. ed. Bruxelas: IDF, 2024. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/diabetesatlas.org\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">https:\/\/diabetesatlas.org<\/a>. Acesso em: 2 nov. 2025.<br>WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Diabetes \u2013 Fact sheet. Genebra: WHO, 2024. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.who.int\/news-room\/fact-sheets\/detail\/diabetes\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">https:\/\/www.who.int\/news-room\/fact-sheets\/detail\/diabetes<\/a>. Acesso em: 2 nov. 2025.<br>INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTAT\u00cdSTICA (IBGE). Proje\u00e7\u00f5es de envelhecimento populacional no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 2024. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br<\/a>. Acesso em: 2 nov. 2025.<br>Portela FSO, Louzada ACS, da Silva MFA, Teivelis MP, Kuzniec S, Wolosker N. Editor&#8217;s Choice &#8211; Analysis of Lower Limb Amputations in Brazil&#8217;s Public Health System over 13 Years. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2024 Jul;68(1):91-98. doi: 10.1016\/j.ejvs.2024.02.028. Epub 2024 Feb 22. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.ejves.com\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">https:\/\/www.ejves.com<\/a>. Acesso em: 2 nov. 2025.<br>Armstrong DG, Boulton AJM, Bus SA. Diabetic Foot Ulcers and Their Recurrence. N Engl J Med. 2017 Jun 15;376(24):2367-2375. doi: 10.1056\/NEJMra1615439. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/books\/NBK540998\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/books\/NBK540998<\/a>. Acesso em: 2 nov. 2025.<br>Erzinger FL et al. Diretrizes brasileiras para o cuidado do p\u00e9 diab\u00e9tico. Jornal Vascular Brasileiro, v. 23, supl. 1, p. 1-35, 2024. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/jvb\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">https:\/\/www.scielo.br\/j\/jvb<\/a>. Acesso em: 2 nov. 2025.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-rounded\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"500\" src=\"https:\/\/sobest.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/juliana-balbinot-reis-girondi.jpg\" alt=\"Juliana Balbinot Reis Girondi\" class=\"wp-image-2100\" style=\"object-fit:cover;width:150px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/sobest.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/juliana-balbinot-reis-girondi.jpg 500w, https:\/\/sobest.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/juliana-balbinot-reis-girondi-300x300.jpg 300w, https:\/\/sobest.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/juliana-balbinot-reis-girondi-150x150.jpg 150w, https:\/\/sobest.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/juliana-balbinot-reis-girondi-12x12.jpg 12w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><br>Juliana Balbinot Reis Girondi<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Doutora em Enfermagem. Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem e do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o Gest\u00e3o do Cuidado em Enfermagem- Modalidade Profissional da Universidade Federal de Santa Catarina. Estomaterapeuta pelo Hospital Albert Einstein, TiSOBEST. Presidente da Se\u00e7\u00e3o SOBEST Santa Catarina. Editora Associada da Revista Estima. Vice-l\u00edder do Laborat\u00f3rio de Pesquisas e Tecnologias em Enfermagem, Cuidado em Sa\u00fade a Pessoas Idosas (GESPI\/UFSC). Membro do Laborat\u00f3rio de Pesquisa e Tecnologias para o Cuidado de Sa\u00fade no Ambiente M\u00e9dico-Cir\u00fargico (LAPETAC\/UFSC), do Laborat\u00f3rio de Pesquisa HUB de Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade e Enfermagem e do Grupo de Apoio \u00e0 Pessoa Ostomizada (GAO\/UFSC). Florian\u00f3polis, SC, Brasil. E-mail: juliana.balbinot@ufsc.br<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Diabetes Mellitus (DM) atualmente \u00e9 uma das condi\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas mais crescente no mundo. Mesmo com novas tecnologias de monitoriza\u00e7\u00e3o e terapias, e com maior detec\u00e7\u00e3o precoce, o n\u00famero de pessoas vivendo com a doen\u00e7a segue em ascens\u00e3o, impulsionado, entre outros fatores, pelo envelhecimento populacional. 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