{"id":13937,"date":"2025-07-30T12:35:38","date_gmt":"2025-07-30T15:35:38","guid":{"rendered":"https:\/\/sobest.com.br\/?p=13937"},"modified":"2025-07-30T12:35:40","modified_gmt":"2025-07-30T15:35:40","slug":"estomaterapeuta-no-cuidado-a-crianca-com-tea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobest.com.br\/en\/estomaterapeuta-no-cuidado-a-crianca-com-tea\/","title":{"rendered":"Estomaterapeuta no Cuidado \u00e0 Crian\u00e7a com TEA"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Transtorno do Espectro Autista (TEA) exige respostas cl\u00ednicas que considerem a singularidade do desenvolvimento infantil e as condi\u00e7\u00f5es do n\u00facleo familiar, incluindo fatores sociais, econ\u00f4micos e estruturais. Nos Estados Unidos, estima-se que 1 em cada 31 crian\u00e7as de 8 anos esteja no espectro, com maior preval\u00eancia entre meninos e fam\u00edlias de baixa renda [1]. Esses n\u00fameros n\u00e3o indicam, por si s\u00f3, melhorias na identifica\u00e7\u00e3o precoce, podendo refletir desigualdades no acesso ao diagn\u00f3stico e \u00e0s interven\u00e7\u00f5es especializadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sinais cl\u00ednicos do TEA podem ser observados a partir dos 12 meses de idade, com possibilidade de diagn\u00f3stico a partir dos 18 meses, desde que conduzido por equipe multiprofissional qualificada [2]. No entanto, na pr\u00e1tica, a identifica\u00e7\u00e3o ocorre de forma tardia. Esse atraso diagn\u00f3stico est\u00e1 associado a protocolos desatualizados, \u00e0 escuta cl\u00ednica fragmentada e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica generalista, que neglig\u00eancia os marcos do neurodesenvolvimento, dificultando o in\u00edcio oportuno de interven\u00e7\u00f5es efetivas [3].<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O diagn\u00f3stico do TEA \u00e9 cl\u00ednico, mas instrumentos como o <a href=\"https:\/\/institutoinclusaobrasil.com.br\/testes-adi-r-e-ados\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/institutoinclusaobrasil.com.br\/testes-adi-r-e-ados\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">ADI-R e o ADOS-2<\/a> aumentam a precis\u00e3o avaliativa. Ainda assim, a an\u00e1lise funcional e o contexto de vida da crian\u00e7a permanecem insubstitu\u00edveis. Sinais como recusa ao uso do vaso sanit\u00e1rio, constipa\u00e7\u00e3o funcional, dermatites perineais e uso prolongado de fraldas ap\u00f3s os cinco anos seguem subvalorizados na pr\u00e1tica cl\u00ednica. Nessa interface, a estomaterapeuta possui compet\u00eancia t\u00e9cnica para avaliar e intervir nas disfun\u00e7\u00f5es eliminat\u00f3rias, promovendo autonomia funcional baseada em metas alcan\u00e7\u00e1veis e concretas. Sua atua\u00e7\u00e3o inclui a an\u00e1lise de vari\u00e1veis como sensibilidades t\u00e1teis, barreiras sensoriais, padr\u00f5es de higiene e restri\u00e7\u00f5es impostas pelo ambiente domiciliar. Embora n\u00e3o substitua outras especialidades, sua presen\u00e7a contribui para suprir lacunas deixadas por uma pr\u00e1tica fragmentada e focada unicamente em protocolos padronizados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A centralidade da interven\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser a normaliza\u00e7\u00e3o do comportamento, mas a promo\u00e7\u00e3o da funcionalidade poss\u00edvel, do conforto e da autonomia concreta. Abordagens como a <a href=\"https:\/\/www.ibes.med.br\/o-que-e-aba-analise-do-comportamento-aplicada-2\/#:~:text=N%C3%A3o%20%C3%A9%20apenas%20dentro%20da,sobre%20a%20An%C3%A1lise%20do%20Comportamento.&amp;text=Fonte:&amp;text=Brasil.,:%20Minist%C3%A9rio%20da%20Sa%C3%BAde%2C%202015.&amp;text=Juliane%20F.S.,Instituto%20de%20Psicologia%20da%20USP.\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.ibes.med.br\/o-que-e-aba-analise-do-comportamento-aplicada-2\/#:~:text=N%C3%A3o%20%C3%A9%20apenas%20dentro%20da,sobre%20a%20An%C3%A1lise%20do%20Comportamento.&amp;text=Fonte:&amp;text=Brasil.,:%20Minist%C3%A9rio%20da%20Sa%C3%BAde%2C%202015.&amp;text=Juliane%20F.S.,Instituto%20de%20Psicologia%20da%20USP.\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">An\u00e1lise do Comportamento Aplicada (ABA)<\/a>, integra\u00e7\u00e3o sensorial e musicoterapia apresentam respaldo cient\u00edfico, sobretudo quando vinculadas a metas terap\u00eauticas bem definidas e contextualizadas. Evid\u00eancias indicam que o uso terap\u00eautico da m\u00fasica pode impactar positivamente fun\u00e7\u00f5es motoras, sociais e comunicativas [4].<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As limita\u00e7\u00f5es observadas na aplica\u00e7\u00e3o da ABA geralmente decorrem do uso inadequado por parte dos profissionais, e n\u00e3o do m\u00e9todo em si. Instrumentos como o VB-MAPP, validados em correla\u00e7\u00e3o com escalas adaptativas [5], s\u00e3o negligenciados na pr\u00e1tica cl\u00ednica. Avalia\u00e7\u00f5es estruturadas como o Portage e o checklist de Denser seguem subutilizadas. Em perfis com d\u00e9ficits sociais mais acentuados, abordagens como Crafting Connections e Social Skills Solutions mostram-se indicadas. Para altera\u00e7\u00f5es severas de linguagem, o protocolo PIC tende a ser mais apropriado. Em casos de comprometimento funcional amplo, a prioriza\u00e7\u00e3o de habilidades de vida di\u00e1ria \u00e9 mais coerente com diretrizes baseadas em funcionalidade do que a ado\u00e7\u00e3o de planos terap\u00eauticos gen\u00e9ricos e descontextualizados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar da ampla disponibilidade desses recursos, observa-se a aplica\u00e7\u00e3o de protocolos de forma homog\u00eanea, com metas terap\u00eauticas imprecisas e defini\u00e7\u00e3o de frequ\u00eancia baseada em crit\u00e9rios arbitr\u00e1rios, sem fundamenta\u00e7\u00e3o funcional. A carga hor\u00e1ria raramente \u00e9 determinada com base em avalia\u00e7\u00f5es individualizadas. Relatos subjetivos, como \u201ca crian\u00e7a teve um bom dia\u201d ou \u201cn\u00e3o colaborou na sess\u00e3o\u201d, substituem indicadores cl\u00ednicos mensur\u00e1veis. Na aus\u00eancia de dados objetivos, decis\u00f5es cl\u00ednicas passam a se apoiar na percep\u00e7\u00e3o individual, o que compromete a validade das interven\u00e7\u00f5es [6].<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma proposta \u00e9tica de cuidado exige uma sequ\u00eancia t\u00e9cnica estruturada: avalia\u00e7\u00e3o criteriosa, planejamento individualizado, execu\u00e7\u00e3o coerente e monitoramento cont\u00ednuo com base em dados objetivos. Pactuar o plano terap\u00eautico com a fam\u00edlia, estabelecer metas mensur\u00e1veis e registrar avan\u00e7os de forma sistem\u00e1tica s\u00e3o etapas fundamentais para garantir transpar\u00eancia, efetividade e possibilidade de reorienta\u00e7\u00e3o em caso de estagna\u00e7\u00f5es [6].<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desenvolvimento n\u00e3o deve ser presumido. Deve ser mensurado, documentado e reavaliado periodicamente. Trabalhar com ABA ou com qualquer abordagem baseada em evid\u00eancia, exige dom\u00ednio t\u00e9cnico e compromisso com a funcionalidade concreta da crian\u00e7a, em vez de narrativas gen\u00e9ricas de progresso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitas fam\u00edlias s\u00e3o levadas a acreditar que est\u00e3o acessando pr\u00e1ticas inclusivas, quando, na realidade, recebem interven\u00e7\u00f5es padronizadas, sem planejamento individualizado, sem an\u00e1lise sistem\u00e1tica de dados e sem mecanismos claros de responsabiliza\u00e7\u00e3o profissional. Tais pr\u00e1ticas comprometem a efetividade do cuidado e n\u00e3o se sustentam como modelos de inclus\u00e3o genu\u00edna.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas <\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">1. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Prevalence of Autism Spectrum Disorder Among Children Aged 8 Years\u2014Autism and Developmental Disabilities Monitoring Network, 11 Sites, United States, 2020. MMWR Surveill Summ. 2023;72(2):1\u201314.<br>2. Okoye C, Obialo-Ibeawuchi CM, Obajeun OA, et al. Early diagnosis of autism spectrum disorder: a review and analysis of the risks and benefits. Cureus. 2023;15(8):e43226. doi:10.7759\/cureus.43226<br>3. Rodrigues LAC, Pereira CRR, Silva YRP, et al. Percep\u00e7\u00f5es de familiares sobre o processo de diagn\u00f3stico de crian\u00e7as com TEA na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. Rev Bras Sa\u00fade Matern Infant. 2023;23(4):1003\u20131012. doi:10.1590\/1806-93042023000400005<br>4. LaGasse B, Yoo GE, Hardy MW. Rhythm and music for promoting sensorimotor organization in autism: broader implications for outcomes. Front Integr Neurosci. 2024;18:1403876. doi:10.3389\/fnint.2024.1403876<br>5. Lotfizadeh AD, Gard B, Rico C, et al. Convergent and Discriminant Validity of the Verbal Behavior Milestones Assessment and Placement Program (VB\u2013MAPP) and the Vineland Adaptive Behavior Scales (VABS). J Autism Dev Disord. 2025;55:803\u2013811. doi:10.1007\/s10803-024-06241-5<br>6. Ferreira T, Silva N, Sousa D, et al. Participa\u00e7\u00e3o familiar e monitoramento do progresso em interven\u00e7\u00f5es para o TEA: uma abordagem baseada em dados. Rev Bras Terap Comport Cogn. 2023;25(1):45\u201358. doi:10.5935\/rbtcc.v25i1.1257<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-rounded\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"500\" src=\"https:\/\/sobest.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/ronesca-sech-de-santana.jpg\" alt=\"Ronesca Sech de Santana\" class=\"wp-image-11246\" style=\"object-fit:cover;width:150px;height:150px\" srcset=\"https:\/\/sobest.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/ronesca-sech-de-santana.jpg 500w, https:\/\/sobest.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/ronesca-sech-de-santana-300x300.jpg 300w, https:\/\/sobest.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/ronesca-sech-de-santana-150x150.jpg 150w, https:\/\/sobest.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/ronesca-sech-de-santana-12x12.jpg 12w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ronesca Sech de Santana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enfermeira especialista em Estomaterapia e Oncologia, com trajet\u00f3ria consolidada na pr\u00e1tica cl\u00ednica, doc\u00eancia e avalia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Mestranda em Tecnologias em Sa\u00fade pela <a href=\"https:\/\/www.bahiana.edu.br\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.bahiana.edu.br\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Escola Bahiana de Medicina e Sa\u00fade P\u00fablica<\/a>, desenvolve pesquisa voltada \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de termografia infravermelha na avalia\u00e7\u00e3o de feridas cr\u00f4nicas em pacientes com e sem diabetes mellitus. Integra, desde 2021, a equipe de avalia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica das Jornadas de Estomaterapia, com atua\u00e7\u00e3o recorrente como avaliadora, moderadora e membro de comiss\u00f5es organizadoras da <a href=\"https:\/\/sobest.com.br\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/sobest.com.br\/\">SOBEST<\/a>. Sua experi\u00eancia combina rigor t\u00e9cnico, escuta qualificada e capacidade de articula\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia, ensino e pr\u00e1tica assistencial. Est\u00e1 apta a contribuir em iniciativas voltadas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o continuada, organiza\u00e7\u00e3o de eventos cient\u00edficos, curadoria de conte\u00fado t\u00e9cnico e desenvolvimento de projetos institucionais voltados ao cuidado em estomaterapia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Transtorno do Espectro Autista (TEA) exige respostas cl\u00ednicas que considerem a singularidade do desenvolvimento infantil e as condi\u00e7\u00f5es do n\u00facleo familiar, incluindo fatores sociais, econ\u00f4micos e estruturais. Nos Estados Unidos, estima-se que 1 em cada 31 crian\u00e7as de 8 anos esteja no espectro, com maior preval\u00eancia entre meninos e fam\u00edlias de baixa renda [1]. 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