{"id":13168,"date":"2024-12-16T13:16:05","date_gmt":"2024-12-16T16:16:05","guid":{"rendered":"https:\/\/sobest.com.br\/?p=13168"},"modified":"2024-12-16T13:16:06","modified_gmt":"2024-12-16T16:16:06","slug":"tratamento-de-infeccao-localizada-em-feridas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobest.com.br\/en\/tratamento-de-infeccao-localizada-em-feridas\/","title":{"rendered":"Tratamento de Infec\u00e7\u00e3o Localizada em Feridas: Um Desafio na Pr\u00e1tica Cl\u00ednica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As feridas que apresentam atraso na cicatriza\u00e7\u00e3o constituem um problema de sa\u00fade de magnitude global. O termo <a href=\"https:\/\/sobest.com.br\/choosing-wisely-tratamento-infeccoes-localizadas\/\">\u201cferida de dif\u00edcil cicatriza\u00e7\u00e3o<\/a>\u201d \u00e9 utilizado para feridas de qualquer etiologia que n\u00e3o respondem ao padr\u00e3o de tratamento baseado em evid\u00eancias devido a fatores impeditivos \u00e0 cicatriza\u00e7\u00e3o, como a presen\u00e7a de biofilme, dificuldades anat\u00f4micas ou outros fatores subjacentes. Feridas complexas s\u00e3o definidas como as que apresentam fatores complicadores do processo do cuidado, como condi\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas, doen\u00e7a de base, fatores psicol\u00f3gicos ou socioecon\u00f4micos que colocam em risco a cicatriza\u00e7\u00e3o com a terapia padr\u00e3o de forma ordenada, consistente e oportuna. Feridas cr\u00f4nicas s\u00e3o as que persistem e n\u00e3o cicatrizam, podendo em alguns casos serem consideradas incur\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sabe-se que diversos<a href=\"https:\/\/www.msdmanuals.com\/pt\/profissional\/multimedia\/table\/fatores-que-interferem-na-cicatriza%C3%A7%C3%A3o-do-ferimento\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> fatores podem contribuir para a falha <\/a>na cicatriza\u00e7\u00e3o de uma ferida, como condi\u00e7\u00f5es sist\u00eamicas (por exemplo, diabetes mellitus, doen\u00e7as vasculares ou imunossupress\u00e3o), fatores locais (como a m\u00e1 perfus\u00e3o sangu\u00ednea e o excesso de exsudato) e psicossociais. Contudo, quando se excluem as causas patol\u00f3gicas para a n\u00e3o cicatriza\u00e7\u00e3o, \u00e9 fundamental investigar a presen\u00e7a de biofilme e\/ou infec\u00e7\u00e3o na ferida. Os sinais de infec\u00e7\u00e3o localizada em feridas de dif\u00edcil cicatriza\u00e7\u00e3o s\u00e3o granula\u00e7\u00e3o fri\u00e1vel e sangramento do leito, hipergranula\u00e7\u00e3o, pontes e bolsas epiteliais no tecido de granula\u00e7\u00e3o, aumento do exsudato, aparecimento de les\u00f5es sat\u00e9lites e atraso ou estagna\u00e7\u00e3o no processo de cicatriza\u00e7\u00e3o. Quando nos referimos a <a href=\"https:\/\/sobest.com.br\/eventos\/manejo-clinico-de-feridas\/\">infec\u00e7\u00e3o localizada de feridas<\/a>, o tratamento \u00e9 a higieniza\u00e7\u00e3o e uso de produtos antibacterianos t\u00f3picos. Nas infec\u00e7\u00f5es com dissemina\u00e7\u00e3o para tecidos adjacentes ou sist\u00eamicas, o tratamento, al\u00e9m de t\u00f3pico, necessita, na maioria dos casos, de antimicrobiano sist\u00eamico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O biofilme \u00e9 definido como uma rede estruturada de microrganismos, presente no leito de uma ferida, com capacidade de express\u00e3o gen\u00e9tica diferenciada, que pode induzir \u00e0 infec\u00e7\u00e3o. Essa estrutura apresenta uma alta resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos e ao tratamento t\u00f3pico com antimicrobianos. Evid\u00eancias apontam que quase 80% das feridas de dif\u00edcil cicatriza\u00e7\u00e3o, cr\u00f4nicas ou complexas apresentam biofilme. Sabe-se que o biofilme exerce um papel crucial no atraso da cicatriza\u00e7\u00e3o, desencadeando um processo de inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica que resulta no aumento de neutr\u00f3filos e macr\u00f3fagos no leito da ferida. Esses eventos celulares prejudicam o processo cicatricial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, evid\u00eancias mostram que n\u00e3o h\u00e1 correla\u00e7\u00e3o entre sinais cl\u00ednicos e a confirma\u00e7\u00e3o visual da presen\u00e7a de biofilme. Alguns sinais e sintomas devem ser monitorados durante a resposta ao tratamento da ferida, como atraso na cicatriza\u00e7\u00e3o, resposta inadequada ao tratamento com antibi\u00f3ticos e aumento do exsudato. Contudo, a avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica por si s\u00f3 pode ser insuficiente. Atualmente, prop\u00f5e-se uma abordagem abrangente, que envolva o uso de tecnologias para identificar feridas com infec\u00e7\u00e3o e presen\u00e7a de biofilme.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Paralelamente ao problema do atraso na cicatriza\u00e7\u00e3o, a <a href=\"https:\/\/www.who.int\/pt\/about\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS)<\/a> tem destacado a resist\u00eancia antimicrobiana (RAM) como uma das maiores amea\u00e7as \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica global. De acordo com a OMS, o uso excessivo e inadequado de antibi\u00f3ticos, tanto no tratamento de infec\u00e7\u00f5es comuns quanto para infec\u00e7\u00e3o localizada em feridas, tem contribu\u00eddo para a emerg\u00eancia de bact\u00e9rias resistentes. Em feridas com infec\u00e7\u00e3o localizada, isso implica que tratamentos tradicionais, como o uso de antibi\u00f3ticos sist\u00eamicos, frequentemente n\u00e3o s\u00e3o eficazes, resultando em infec\u00e7\u00f5es persistentes e complica\u00e7\u00f5es prolongadas. Nesse contexto, o biofilme pode tornar-se um fator determinante no atraso da cicatriza\u00e7\u00e3o e no agravamento do quadro cl\u00ednico do paciente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A forma\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www.convatec.com\/pt-br\/ferida-e-pele\/formacao-profissional\/homepage-de-higiene-de-feridas\/higiene-de-feridas\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">biofilmes em feridas de dif\u00edcil cicatriza\u00e7\u00e3o<\/a> cria um ciclo vicioso: as bact\u00e9rias presentes no biofilme s\u00e3o protegidas contra os antibi\u00f3ticos, o que prolonga a infec\u00e7\u00e3o e mant\u00e9m a inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica, impedindo que o processo de cicatriza\u00e7\u00e3o avance de forma adequada. A resist\u00eancia antimicrobiana agrava ainda mais esse problema, pois as op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas se tornam progressivamente mais limitadas, resultando em tratamentos mais demorados e, em muitos casos, ineficazes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa forma, o enfermeiro estomaterapeuta deve estar atualizado com estrat\u00e9gias proativas no tratamento de feridas de dif\u00edcil cicatriza\u00e7\u00e3o, como: higieniza\u00e7\u00e3o adequada da ferida, com a\u00e7\u00f5es eficientes de limpeza; desbridamento de tecidos n\u00e3o vi\u00e1veis (incluindo a granula\u00e7\u00e3o insalubre); gest\u00e3o da umidade; remodelamento das bordas; utiliza\u00e7\u00e3o de antiss\u00e9pticos com surfactantes e escolha de coberturas com propriedades anti-biofilme. Essas a\u00e7\u00f5es devem ser realizadas de maneira consistente e repetida. Al\u00e9m disso, a avalia\u00e7\u00e3o do paciente deve ser integral, a fim de gerenciar fatores sist\u00eamicos e locais que possam contribuir para o atraso na cicatriza\u00e7\u00e3o e monitorar os resultados obtidos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-small-font-size\">Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">&#8211; Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). Relat\u00f3rio sobre a resist\u00eancia antimicrobiana: uma crescente amea\u00e7a \u00e0 sa\u00fade mundial. 2019.<br>&#8211; Atkin L, Bu\u0107ko Z, Conde Montero E, Cutting K, Moffatt C, Probst A, Romanelli M, Schultz GS, Tettelbach W. Implementing TIMERS: the race against hard-to-heal wounds. J Wound Care 2019; 28(3 Suppl 3):S1\u2013S49<br>&#8211; Murphy C, Atkin L, Vega de Ceniga M, Weir D, Swanson T. International consensus document. Embedding Wound Hygiene into a proactive wound healing strategy. J Wound Care 2022;31:S1\u2013S24<br>&#8211; Malone M, Bjarnsholt T, McBain AJ, James GA, Stoodley P, Leaper D, et al. The prevalence of biofilms in chronic wounds: a systematic review and meta-analysis of published data. J Wound Care [Internet]. 2017 [cited 2024 Apr 18];26(1):20\u20135. Available from: <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/28103163\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/28103163\/<\/a> DOI: 10.12968\/jowc.2017.26.1.20<br>&#8211; Malone M, Schultz G. Challenges in the diagnosis and management of wound infection. Br J Dermatol [Internet]. 2022 [cited 2024 Apr 18];187(2):159-66. Available from: <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/35587707\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/35587707\/<\/a> DOI: 10.1111\/bjd.21612<br>&#8211; Nair HKR, Mrozikiewicz-Rakowska B, Pinto DS, Stuermer EK, Matiasek J, Sander J, et al. International Consensus Document: Use of wound antiseptics in practice. Wounds International. [Internet] 2023 [cited 2024 Apr 18]. Available from: <a href=\"https:\/\/woundsinternational.com\/consensus-documents\/use-of-wound-antiseptics-in-practice\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><u>https:\/\/woundsinternational.com\/consensus-documents\/use-of-wound-antiseptics-in-practice\/<\/u><\/a><br>&#8211; International Wound Infection Institute (IWII) Wound infection in clinical practice. Wounds International 2016.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-rounded\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"500\" src=\"https:\/\/sobest.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Saskia-Iasana-Pontes-Fleury.png\" alt=\"Saskia Iasana Pontes Fleury\" class=\"wp-image-12868\" style=\"object-fit:cover;width:150px;height:150px\" srcset=\"https:\/\/sobest.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Saskia-Iasana-Pontes-Fleury.png 500w, https:\/\/sobest.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Saskia-Iasana-Pontes-Fleury-300x300.png 300w, https:\/\/sobest.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Saskia-Iasana-Pontes-Fleury-150x150.png 150w, https:\/\/sobest.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Saskia-Iasana-Pontes-Fleury-12x12.png 12w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Saskia Iasana Pontes Fleury<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enfermeira Estomaterapeuta<br>Mestre em Ci\u00eancias da Sa\u00fade pela escola de enfermagem da USP<br>Membro do grupo de pesquisa estomaterapia da escola de enfermagem da USP<br>Enfermeira l\u00edder da qualidade na Cl\u00ednica ConvaCare<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As feridas que apresentam atraso na cicatriza\u00e7\u00e3o constituem um problema de sa\u00fade de magnitude global. 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