Alteração da rotina por conta da pandemia pode ter efeitos sobre a saúde urinária

Alerta da Associação Brasileira de Estomaterapia: estomias, feridas e incontinências vale para o público em geral e para os profissionais de Saúde

A saúde urinária é um tema negligenciado no Brasil. Milhões de brasileiros convivem com a perda ou retenção urinária, sem saber se já existe uma disfunção, passando a dar atenção apenas no agravamento desta condição quando a qualidade de vida já está prejudicada.

Apesar de existirem medidas que previnem e tratam de forma simples, pouco se fala no assunto, ficando restrito a serviços de saúde, para os quais o tema não é prioridade. “O tempo da pandemia é oportuno para discussão do tema por vários motivos, especialmente por termos mudado nossos hábitos, que já não eram tão saudáveis para o sistema urinário”, afirma a enfermeira estomaterapeuta Gisela Assis, da Associação Brasileira de Estomaterapia - Sobest. “Temos passado horas sentados em frente ao computador, esquecemos de nos hidratar, esquecemos de respeitar os intervalos para ir ao banheiro, além do estresse sob o qual estamos, que tem um impacto importante sobre a saúde pélvica e urinária”, ressalta. O ideal é estabelecer um intervalo máximo de três a quatro horas para esvaziar a bexiga.

Este é um tema relevante, também, para os profissionais de saúde, impedidos de ter hábitos saudáveis pelo uso contínuo de EPIs, os equipamentos de proteção individual. “Muitos estão sujeitos a longas horas utilizando a paramentação, com pouca possibilidade de troca, de intervalos para hidratação e para ir ao banheiro. Isso vai gerar prejuízos aos rins e ao trato urinário”, destaca Gisela Assis.

Um artigo científico assinado por pesquisadores de diversos países analisou alguns efeitos do novo coronavírus sobre à saúde urinária. “Além das relações já descritas sobre os sistemas respiratório, cardíaco e neurológico, a COVID-19 gera uma lesão renal em pacientes em estado mais grave. Este estudo internacional ressaltou os dados do impacto sobre a saúde dos rins, agravando os índices de mortalidade pela doença” explica a enfermeira estomaterapeuta Marta Lira, também da Sobest. “Podemos aproveitar esse tempo para criar bons hábitos ou esperar essa fase passar com o risco de conviver com suas consequências”, acrescenta a especialista.


 

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