A Estomaterapia brasileira no Journal of Wound Care Awards 2018

Confira a entrevista com a Profa. Dra. Vera Lucia Conceição de Gouveia Santos, uma das indicadas brasileiras ao prêmio

A Estomaterapia brasileira tem duas representantes entre as finalistas do prêmio anual do Journal of Wound Care, que reconhece os profissionais que desenvolvem trabalhos inovadores em pesquisa, educação e prática do cuidado de pessoas com feridas. São 15 as categorias contempladas. A cerimônia de premiação será no dia 2 de março de 2018, no The Banking Hall em Londres, Reino Unido. Conversamos com a Profa. Dra. Vera Lucia Conceição de Gouveia Santos, diretora do Departamento de Relações Internacionais da SOBEST – Associação Brasileira de Estomaterapia: estomias, feridas e incontinências.

 

SOBEST: Profa. Vera, a senhora foi indicada na categoria “Professional Education” na edição 2018 do JWC Awards. Como avalia a evolução do saber na área no País?

Profa. Vera: Eu acredito que a educação em Estomaterapia envolvendo a área de feridas se desenvolveu bastante nestes últimos 25 anos, não só pela implantação da Especialidade, mas também pelo crescimento das outras entidades e associações ligadas a essa área. Isto mostra uma evolução do interesse na formação. Temos, atualmente, pelo menos quatro associações ligadas ao cuidado de pessoas com feridas, o que indica de fato uma evolução. Na década de 1990, quando a Estomaterapia chegou ao Brasil, isso não acontecia.

Além disso, hoje temos 19 cursos de especialização no Brasil reconhecidos pela SOBEST e pelo Conselho Mundial de Estomaterapeutas (WCET), alguns em fase de credenciamento. Vemos esses cursos proliferarem no Brasil. É uma situação boa, mas precisamos de fato avaliar sempre sua qualidade, com selo de aprovação da SOBEST e regulado por um organismo internacional (WCET).

Essa evolução mostra-se não só na Educação, como nos seus produtos. Contamos hoje com número muito maior de mestres e doutores, estomaterapeutas ou não, que realizaram suas dissertações e teses na área da Estomaterapia, produzindo conhecimentos para o setor. Dispomos, inclusive, do Mestrado Profissional de Ciência, Tecnologia e Gestão aplicadas à Regeneração Tecidual, na Unifesp. A produção nesse Mestrado tem gerado diversos materiais profissionais como cartilhas, softwares, patentes extremamente importantes.

O mesmo ocorre em relação ao mestrado e doutorado acadêmicos, que aliás antecedem o profissional. Alguns cursos de pós-graduação senso estrito promovem e oferecem disciplinas nessa área. Exemplo disso é o Programa de Pós-Graduação em Enfermagem na Saúde do Adulto (PROESA) da Escola de Enfermagem da USP, que recebeu pela segunda vez nota 7 da CAPES. O Programa tem ministrado, inclusive, disciplinas em inglês, com professores visitantes internacionais. 

Todos esses alcances têm repercutido em aumento de publicações, não só no Brasil, mas em importantes revistas internacionais, ISI. No Brasil a SOBEST edita e publica a Revista Estima, desde 2003, com classificação Qualis B2 e indexações em sete bases de dados. Ressalta-se que é a única revista especializada em Estomaterapia na América Latina.

SOBEST: Quais são os desafios da Educação em Estomaterapia no Brasil? Qual o papel da SOBEST neste setor?

Profa. Vera: Nós temos como desafio a melhora gradativa dos cursos de especialização, porque esta é a melhor forma de Educação Profissional. Nós temos um projeto de constituição de Mestrado Profissional em Estomaterapia, mas ainda é um projeto, mas que poderá ser realizado provavelmente realizado por outras universidades e docentes. Eu acho que o papel da SOBEST é, de fato, melhorar cada vez mais o processo de credenciamento, para refinarmos a formação dos enfermeiros estomatereapeutas.

Nós temos vários professores de universidades que poderão desenvolver as disciplinas de pós que sejam específicas em Estomaterapia. Monitorar no Brasil o desenvolvimento dos novos cursos, sempre buscando a informação e interesse dos novos cursos no credenciamento junto à Sobest. Esta é uma questão muito importante.

SOBEST: Reconhecimentos internacionais como este impulsionam a valorização da Estomaterapia brasileira?

Profa. Vera: Acho que isso é inquestionável! O fato de termos especialistas brasileiros inscritos dos quais três indicadas para o Journal of Wound Care Awards 2018 (Suzana Aron e Idevânia Costa, que atua na canadense Queen's University School of Nursing, além da Profa Vera) mostra a divulgação da própria Estomaterapia brasileira.

Trata-se de um reconhecimento duplo, não só à Estomaterapia brasileira, reforçando nosso país em destaque no mapa da Especialidade, como também ao crescimento da área no cenário da Saúde. Reconhecimento que tem sido cada vez mais frequente, à medida que temos mais especialistas desenvolvendo trabalhos e pesquisas de melhor qualidade científica, divulgando resultados relevantes, participando de eventos e sociedades internacionais. Esses resultados geram expressiva contribuição para as evidências e engrandecem cada vez mais a Estomaterapia brasileira.

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